O início é a maior marca de que o fim há-de chegar. Os sorrisos do tempo não são mais que uma farsa mal preparada, construção apresentada a quem não a merece. E daí advém a maior necessidade do mundo actual; espelhos de alma. Erguidos em estrutura fina e larga, amaldiçoada pelo bem-dizer, devem encaminhar o mundo inteiro à avaliação dos seus próprios comportamentos.
O julgamento próprio e devido, de si mesmo antes do outro. A queda do corpo sobre a terra, a luta e a desistência. A persistência no vazio e a tentativa de recolher dos outros o seu pior lado. Precisam-se paredes espelhadas para a alma de quem não a sente – todos.
O padrão é assumido como devido. Chegou a altura de gritar, chegar o ouvido à solidão e ouvir a lição que ela quer pregar. Ir à raiz humana e descodificar dos membros o corpo, do ramo a árvore. A alma segrega tudo o que nos conduz onde havemos de chegar, mas nunca lhe foi dada a oportunidade de se observar primeiro a si do que aos outros. Atiram-se pedras ao vazio, como se daí surgisse uma solução à sobrevivência humana. Cai o corpo e a pedra no chão.
Anda uma formiga pelo seu castelo, também determinado palácio a quem assim o quer. Resvala em sorrisos próprios, negação à sua solidão. Edificou aquele monumento em si mesma durante anos e fez dele nascer um paradigma; o da solidão. Paredes erguidas de costas para o mundo lá de fora. Sobe as escadas a ritmo acelerado, tentando ver o que está para além do que a rodeia. Encontra o sentido, não aquele que procurava, mas outro; o das sensações perdidas no tempo.
O mundo é demasiado pequeno para tantas ideologias, senso desigual da função humana, que não ultrapassa uma surreal e singular solidão.
Joel Anjos
Fotografia e vídeo do espectáculo "Intermitência", pel'O Capítulo
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